segunda-feira, 2 de junho de 2008

My Blueberry Nights

Sinestesia. Imagens e diálogos muito bons. Ainda bem que, de novo, eu estava sozinha no cinema, rsrs. É que assim não preciso fingir gripe ou cisco. Ando emotiva demais e me pergunto se as sentimentalidades tendem a se tornar "visceralidades" com o tempo.
O tempo soa pra mim sempre como solução; então acabo de achar a verdadeira culpada por essa minha "flordapelice", e ela não combina nenhum pouco com o feriado prolongado que tive, com tanta gente bacana ao redor - na superfície.

Quotes time:

[about the forgotten keys in the bar]
Elizabeth: Why do you keep them? You should just throw them out.
Jeremy: No. No, I couldn't do that.
Elizabeth: Why not?
Jeremy: If I threw these keys away then those doors would be closed forever and that shouldn't be up to me to decide, should it?
Elizabeth: I guess I'm just looking for a reason.
Jeremy: From my observations, sometimes it's better off not knowing, and other times there's no reason to be found.
Elizabeth: Everything has a reason.
Jeremy: Hmm. It's like these pies and cakes. At the end of every night, the cheesecake and the apple pie are always completely gone. The peach cobbler and the chocolate mousse cake are nearly finished... but there's always a whole blueberry pie left untouched.
Elizabeth: So what's wrong with the blueberry pie?
Jeremy: There's nothing wrong with the blueberry pie. Just... people make other choices. You can't blame the blueberry pie, just... no one wants it.
Elizabeth: Wait! I want a piece.

Elizabeth: [wiping her tears] How do you say goodbye to someone you can't imagine living without? I didn't say goodbye.
[pause]
Elizabeth: I didn't say anything. I just walked away.

[last lines]
Elizabeth: It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side.

Katya: Sometimes, even if you have the keys, those doors still can't be opened. Can they?
Jeremy: Even if the door is open, the person you're looking for may not be there, Katya.

Into the wild : deep into you

Society, man! You know, society! 'Cause, you know what I don't understand? I don't understand why people, why every fucking person is so bad to each other so fucking often.
It doesn't make sense to me. Judgment, control. All that, the whole spectrum. well, it just...
(Alexander Supertramp)

I love not man the less, but nature more.
(Lord Byron)
Poucos filmes conseguem ser tão densos. Ainda bem que eu estava sozinha no cinema porque realmente precisava de um tempo pra digerir aquela avalanche de emoções desabadas diretamente da tela sobre todas aquelas pessoas desavisadas ali sentadas. Então saí atônita e caminhei até a praça da Liberdade*, por entre rosas viçosas, perfumantes e sem crises existenciais. Somente lindas e descerebradas. Nem precisam chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome, só representam. No máximo, um estandarte.

Catei por aqui algumas frases que queria reler, porque depois elas ficam transitando pela nossa mente como uma espécie de brain wall paper.

Ron Franz: When you forgive, you love. And when you love, God's light shines upon you.
[at that very moment, the clouds part, and sunlight falls upon them]

Christopher McCandless: Mr. Franz, I think careers are a 20th century invention and I don't want one.

Christopher McCandless: [written into book]: Happiness only real when shared.

Christopher McCandless: I'm supertramp.
[looks at the apple]
Christopher McCandless: and you're super apple!
Christopher McCandless: You are the apple of my eye.

Christopher McCandless: What if I were smiling and running into your arms? Would you see then what I see now?

Christopher McCandless: The sea's only gifts are harsh blows, and occasionally the chance to feel strong. Now I don't know much about the sea, but I do know that that's the way it is here. And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head.
* Sim, eu aproveitei o feriado que passei em BH pra assistir, pois sabe Deus quando isso chega nos cinemas de Belém. E quando chegar, talvez vá ver de novo - e eu nem sou do tipo que assiste mais de uma vez um filme, mas esse... ah... só vendo pra entender!

sábado, 31 de maio de 2008

Editora do Bispo

O post aí debaixo me obriga a contar essa historinha.
Andando por BH, procurando por alguma preciosidade de livro dessa editora, entrava e perguntava "moço, tem algum livro da editora do bispo?", após reiterados "nãos", eis que o vendedor todo sorridente me diz:

- Ah, temos sim... (a pessoa toda alegre falando) temos esse aqui: "Por que se mete... - tom de voz baixando drasticamente, a pessoa se encolhendo atrás do computador, totalmente sem-graça... - porra"* (a porra quase não saiu!).

Um amigo que estava comigo não se aguentou e saímos às gargalhadas da livraria, porque no final nem tinha o livro no estoque. Comentou que o vendedor nunca esperava que, com esse nome de editora, pudesse haver um título assim e muito menos que uma garota com uma cara tão inofensiva pudesse estar interessada nesse tipo de literatura, hahaha

Momento de utilidade pública:
Aproveito pra informar que alguns títulos da editora estão disponíveis pra download GRATUITAMENTE, preciosidades como "Manual para fazer das crianças pobres churrasco", "Vendo alma vagabunda com tatuaje del Che", o já citado "Catecismo de devoções, intimidades & pornografias" e o clássico "José Simão no país da piada pronta – dicionários lulês, tucanês e antitucanês". Aproveitem, antes que os Bispos mudem de idéia:
http://www.editoradobispo.com.br/site/download.php
Ah, mas se vocês acessarem simplesmente www.editoradobispo.com.br, verão a ilustração com a frase que eu acho o máximo: "It's never just a game when you're winning". Adoro! hehehe

Por que eu queria comprar se dá pra fazer o download?
Porque gosto de ler deitada na cama, babando em cima do livro, rsrs
Por que então eu não imprimo?
Porque o formato deles é muito mais legal e ficaria muito mais bonito na minha estante ao invés daquela encadernação horrorosa em papel A4! Sem falar que é sempre muito boa a sensação de achar o que é difícil, né?

* Por que se mete, porra? Delicadezas de Paulo César Peréio.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Catecismo de devoções, intimidades & pornografias, por Xico Sá

O post vai ser longo, porém gostoso de devorar.
Tudo porque não consegui achar esse famigerado livrinho aqui em BH, que fiquei super a fim de t(l)er, desde que soube de sua existência pela minha queridíssima Raquel. Pelo menos li o dela e então fiz uma compilação de alguns "melhores momentos" pra postar aqui. Lá vai:
  • Das devoções repetidas ad infinitum

Tudo começou nas beiras de caminho, postos de gasolina, caminhoneiros do Brasil. Uma rosa barata que vira calcinha, desconstruindo a lógica mais lírica, uma calcinha que dura no máximo um dia, dissolve-se no ar ou na boca, feito hóstia consagrada, amém.

  • De uma bonequinha de luxo e seus olhos lindamente pintados

Nada de acreditar nessa historinha de "você já é bonita com o que Deus lhe deu!". Dorival Caymmi, saravá meu pai!, é uma beleza de homem, sábio, mas esse verso, aqui neste catecismo, não soa bem aos ouvidos. Pinte esse rosto que eu gosto e que é só seu. Com todos aqueles lápis que fazem de você uma criança brincando de colorir o desejo.

  • No que concerne ao Lapsus Linguae

Aqui o lapso de língua diz respeito àquela criatura que preguiçosamente se debruça sobre a vulva ou o pau e não se devota, limitando-se a um mero favor sexual sem vigor ou alma. A burocratização do sagrado ato de sorver o objeto de desejo. Falta de manga na infância, no caso dos meninos; falta de espiga de milho cozido, no tocante às meninas.

  • De todas as glândulas do amor

(...) tudo é lindo e belamente dramático na foda, mecânica da carne que se enrosca, o pau come até a alma, paudurescência ad infinitum, o amor é mesmo o viagra do espírito.

  • De quão luxuosos podem ser as damas e os cavalheiros solitários

Nada mais elegante do que a solidão tranquila, um trago no balcão do bar, ninguém para encher o saco - a não ser os chatos que se multiplicam por aí, onipresentes, malas, malas, malas. Esses, porém, a gente se livra fácil, não voltam para os nossos lares doce lares.

Não que o amor não seja lindo. Nada disso. "Te amo, porra", bem sabes, como diria o Pereio.

É óbvio que vivemos grandes momentos envenenados por Cupido. O que faço nestas maltraçadas linhas é uma defesa da decência solitária, o direito até de esnobar com um "I want to be alone" à Greta Garbo.

De não se deixar adoecer pela ditadura da falsa felicidade publicitária!

De chegar em casa feliz, botar um disco novo, tomar um uísque... De cantar Antonio Maria da forma mais irônica, como ele também hoje cantaria: "Ninguém me ama/ninguém me quer/ninguém me chama/de Baudelaire..."

  • Do prazer como dever permanente do homem

"...a satisfação e o conforto das partes da mulher devem depender da acolhida que dão ao membro viril, e que o homem não deve conhecer descanso ou paz enquanto seu dever não tenha sido nobremente cumprido!" [D'O Jardim Perfumado, um manual erótico árabe, obra do xeque Nefzaui]

  • No que concerne a uma Valentina que pisou machucando com jeitinho

A gente é tão doido, e doído com acento agudo e tudo por uma pessoa, que a gente não sabe que pode chegar outra/o um dia. E sempre chega. Donde encosta a romana. A ruiva. Tão de outrora, Deus mio, aquela que eu havia conhecido dum simpósio da Unesco, 5, 6 anos atrás. Quase a Adriana do romance de Moravia, de tão puta, pois.

Eis que a moçoila, agora na flor dos 30, ou quase, volta a São Paulo, para uma felicidade tão rara. Como pode fazer um homem velho tão feliz, mesmo tão rápido. Doído era aquele avião partindo e ela chorando por nós dois, italiana, caralho, não suporto despedidas... aquelas botas, tão Crepax, tão Valentina, tão pendor milanesa, e as nossas phodas em espanhol caricato, tão gozadas e lindas, onomatopéias e babéis imperfeitas...

Thanks por fazer esquecer romances d'outrora, linda romana, jogo-lhe todas as moedas em tuas fontanas, como pode querer tanto um feio se és a mais bela?, a mais bela de todas???

Donde ela diz, graciosa, que voltou ao priapismo da velha Roma, que o mundo moderno a desacostumou dessas coisas...

Mas os aviões, o aeroporto, transformam qualquer ensaio de amor no amor mais phoda, o amor a jato a atingir as nuvens, o boeing, algodão de céus, o calor das despedidas que viram chuvas...

  • De um fragmento do cangaço amoroso

"Se eu soubesse que chorando/empato a tua viagem/meus olhos eram dois rios/que não te davam passagem." [Volta-Seca, cangaceiro do bando de Lampião]

  • Do termo balzaquiana e o uso adequado nos novos tempos (porque o Ronaldo Salame havia me dito exatamente isso, quando inaugurei este blog, usando essa palavra no subtítulo. Aí concordei e tirei.)

Onde lia-se uma mulher de 30 anos, como na época do velho e bom Honoré de Balzac, leia-se uma mulher de 45 em diante. Além do avanço da cosmética e da beleza para o rosto da mulher, o espírito, mais livre, é outro. (Yeah!)

  • Da beleza sem igual das saboneteiras (= ossinhos logo abaixo dos ombros, aos desavisados)

Das lições de anatomia, essa é uma das mais belas. Aqueles ossinhos prontos a receber, como recitaria Manuel Bandeira, sabonetes Araxás. As lindas moças dos sabonetes Araxás. Ali guardamos também nossos desejos ensaboados, aqueles desejos que ainda carecem da mínima convicção, mas logo logo nos põem caídos aos vossos pés, devidamente abaixados.

  • De um haicai surgido de queixa ouvida na porta do banheiro feminino

Ah, cadê os homens? Tanto gasto em cremes... E ninguém me Lancome.

  • No que concerne a um gracioso diálogo com uma aprendiz de devassa

- Você cospe ou engole?

- Eu só não engulo desaforo, o resto é manjar dos deuses!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

B(eing) H(appy)!!

Saída. Transtornos (essa foto do último post deve ter atraído). Alegria permanecida intacta.
Rever a casa verde que tem uma árvore na frente cheinha de pessoas especiais. Agora cachorros (floquinhos cor de sorvete de creme), não mais gatos. Lindos e, às vezes, estressados.
Festas, passeios, pessoas. Ouro Preto, Mariana, mina. Velvet Club, Paco Pigalle, Deputamadre. Taxis, ônibus, caronas. Tutu, "biju", canudinho de doce de leite. Olheiras, danças, gargalhadas. Parque de diversões, tênis, mochila. Chapéus malucos, gincana insana, churrasco rock.
É, parece que tô em forma.
Ah, e de brinde: filmes inesquecíveis.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

An only form, so many names. An only bag, so many things.

- By me, on a plain going to Marabá city -

A forma das diversas substâncias do mundo é uma única. E do outro lado existe apenas a loucura.
Há nomes aborrecidos para viagens maravilhosas, mas o inverso é ainda mais fácil.

(Gonçalo M. Tavares em "Biblioteca", inspirado na obra de René Crevel.)

Amo viajar. Odeio arrumar mala.
Minhas malas sempre fazem questão de provar a minha incapacidade pra uma vida cigana, já que não basta não temer aviões e ainda se divertir com as turbulências lá no alto, quando a maioria lembra que não renovou o seguro de vida que aquela atendente de telemarketing ofereceu (você ainda bateu o telefone na cara dela) e que a indenização por acidente aéreo é a mais generosa pra família.
As maleditas riem-se de mim quando paro e me pergunto, com sofreguidão [mão no queixo, respirando fundo]: por que será que um só par de sapatos (além das havaianas) não basta pra mim, môdeusdocéu?

sábado, 17 de maio de 2008

Flowlácias

As flores a observam como espectadoras de uma novela que só passa aos fins-de-semana.
Espicham-se no muro vizinho para vê-la chegar e tentar adivinhar seu humor.

- Hoje ela parece bem menos radiante: vai ligar o sorriso no automático.
- Talvez apareça alguém que a faça sorrir com a alma inteira.
- Nunca aparece.
- Houve uma vez, lembra?
- Foi só uma lembrança, não foi real.
- Nunca é.
- Mas o sorriso foi sinceramente diferente, chegou nos olhos!
- Acho que foi a primeira vez que ela nos notou aqui dependuradas, brigando pela melhor visão.
- Rá, e a pateta achou que só nos viu agora porque devemos ser de época!
- É, época de beleza.
- Será que ela pensa isso quando nos vê?
- Claro que pensa, eu vi que sim, apesar de não estar sorrindo com os olhos.
- Mas podia ser só um pensamento automático de mulherzinha quando vê flor.
- É? E aquela onda que veio junto com o olhar?
- AM-O-RAS!