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terça-feira, 29 de julho de 2008

Altam-ente inusitado

O tempo segue ensinando que a não-expectativa deveria ser regra na vida de qualquer ser humano, afinal não é à toa que se diz que a dor vem do desejo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O que se pode prometer e teorias de não-paixão

“Pode-se prometer atos, mas não sentimentos, pois estes são involuntários.
Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou sempre odiá-lo ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; mas ele pode prometer aqueles atos que normalmente são consequência do amor, do ódio, da fidelidade, mas também podem nascer de outros motivos: pois caminhos e motivos diversos conduzem a um ato.
A promessa de sempre amar alguém significa, portanto: enquanto eu te amar, demonstrarei com atos o meu amor; se eu não mais te amar, continuarei praticando esses mesmos atos, ainda que por outros motivos: de modo que na cabeça de nossos semelhantes permanece a ilusão de que o amor é imutável e sempre o mesmo. - Portanto, prometemos a continuidade da aparência do amor quando, sem cegar a nós mesmos, juramos a alguém amor eterno.”

Esse trecho foi o que me fez comprar Humano, demasiado humano, mesmo sob acusações de que eu não era Nietzsche, e sim Vinicius; não era rock industrial, mas bossa nova. Eu até achei bonitinho, mas ninguém é uma coisa só. Rotular é limitar demais, é pré-conceituar. O bom é transitar pelas mais diversas correntes, explorar vários caminhos e idéias sem perder a essência, mas poder transformá-la/melhorá-la conforme sua dinâmica pessoal de vida. A doçura pode ser transgressora sem deixar de ser doce.

Tenho fascínio pelo poder revolucionário de uma mente aberta pra enxergar a mesma situação por diversos ângulos. E cada vez que se desenvolve isso, mais se distancia das convenções. É um fiozinho de lã que se pode puxar longe, mas não quero me estender.

Lembro agora de uma parte do documentariozinho-febre-mundial que assisti What the Bleep do We Know? (Quem somos nós?), que, apesar das interpretações sofríveis, da picaretagem e das críticas, achei interessante o que alguém disse por lá (em meio a toda aquela pseudo-física-quântica e comentaristas dignos do texto: "Ligue jhá!") sobre a paixão ser um vício em determinada sensação que alguém nos provoca. Você não é apaixonado por aquele ser em especial, mas viciado na sensação que ele te causa. Sim, parece indissociável à primeira vista, mas se tentarmos separar uma coisa da outra, fica até interessante - se estiver apaixonado agora, nem adianta ler, pois isenção e discernimento são coisas que passam bem ao largo da paixão: do grego pathos, passividade do sujeito, experiência infligida, sofrida, dominadora, irracional – por oposição a logos ou phronesis, que significam pensamento lúcido e conduta esclarecida.
Então, em sendo a paixão um estar viciado na sensação que determinada pessoa provoca, conseguiríamos desenvolver técnicas para cortar essa "liga"?
Eu tenho uma, mas que ainda está em fase de testes, rs. Tem vezes que acho que funciona, em outras acabo desistindo de sua aplicação e me entrego àquele sorriso bobo, momentâneo.
É a teoria da banalização.
Como se deduz facilmente, consiste em tentar tornar a criaturinha simplesmente a mais banal das criaturas, como aquelas outras tantas que existem no seu msn (criaturinha extra/ordinária que, por uma racionalidade qualquer, impele o seu não-querer lançar-se nesse precipício deliciosamente infernal).

Uma espécie de vacina contra o encantamento; um berrar pro seu senso crítico não dormir bem na hora errada (na hora da fisgada); um estado de alerta constante da consciência, pra que não se permita alterá-la (sim, porque afinal paixão é um estado alterado de consciência).
Ao menos tenta-se combater uma sensação com outra: a de se estar no controle, o que já é uma mãozinha. Ou não - nos estágios irracionais abissais.

Falando assim, parece até que sou uma daquelas mulheres amargas, atordoada pelas desilusões amorosas da vida, mas pode apostar que não sou. Longe disso (apesar de ter nome de protagonista de novela mexicana: Erica Adriana!). Só acho o tema interessante pra tentar se analisar friamente: como cortar esse barato que pode custar caro? Credo do trocadilho infame, hehehe

Aff, o post já tá imenso e eu nem queria que fosse assim. Sei que vão pensar que eu mal consigo controlar o tamanho de um post, imagina o resto! :P

Quem tiver mais teorias, por favor, não se faça de rogado, nem seja tão egoísta. É feio.
Não custa esclarecer: não que eu esteja precisando, é pura paixão - pelo debate.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Formigas que lêem Ni

71. A esperança - Pandora trouxe o vaso* que continha os males e o abriu. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado "vaso da felicidade". E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente; então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora para sempre o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à sua disposição: ele o abre quando quer, pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens - é a esperança. - Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.

(Friedrich Nietzsche, em "Humano, demasiado humano", um dos meus livros permanentes de cabeceira - direto da prateleira choque de realidade.)

Concordo com cada vírgula e talvez por isso tenha gostado tanto de One is the loneliest number, cantado por Aimee Mann, e escute sem cansar. A esperança f*de completamente com a vida do ser humano.
Só mesmo em alemão que a partícula wohl - que equivale a talvez e, naturalmente, denota incerteza ou possibilidade - pode ÀS VEZES, realçar uma afirmação.
Tá vendo? Complicado igual, não tem jeito.
Um ordinário esse Zeus! Odeio.
Pandora era só uma cabeça-oca.

*O termo grego em original é pithos, que corresponde a "vaso, recipiente, jarro."
(Cultura inútil? Oh, yeah!)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Do you have a possible plan?

Não existem certezas, só oportunidades.
Dúvidas sempre haverão sobre o caminho a tomar. As perguntas sobre se se fez a escolha certa vão estar ali que nem aquele mosquitinho chato que não te deixa dormir. E quer saber? A vida não dá resposta! O que conta é a vontade de acertar.
Nenhum caminho vem com certificado de garantia e nossa vida não é um roteiro de “Efeito Borboleta”, tornando possível vários “ses”.
A única certeza é a de que se deve assumir os riscos da escolha feita e seguir em frente. Ou voltar atrás, se ainda houver tempo.
O fato é que cada um carrega dentro de si sua própria bombinha-relógio e se serve do que acha mais apropriado das coisas que vê por esse mundo.
Gosto de pensar que tenho o tempo que quiser pra fazer o que me der na telha. Planos A, B, C...Z e de novo A¹, B¹, C²³, ad infinitum! Vivemos de perspectivas, mans... ultimamente parece que os papéis se inverteram e o mundo inteiro é que nutre pesadas perspectivas com relação a nós. Incômodo. Ando extremamente avessa a planos.

“É que só sei ser impossível, não sei mais nada. Que é que eu faço para conseguir ser possível?” (Clarice Lispector, sempre ela)

sexta-feira, 21 de março de 2008

Blue, but not the girl

Fiz as pazes com o planeta azul!

Inevitável lembrar da última vez que estive nele, quando era seguida por olhos cheios de amor, e aquela tinha sido a mais bonita das declarações antes deles tomarem de vez o lugar das palavras. Porque eles falavam mais e além.

Hoje não lembro mais com tristeza, só a beleza do momento me interessa.

Aprendi que é o que importa guardar. E eu tenho feito uma coleção admirável.

Outros personagens, pessoas com as quais não tive muito tempo de convivência, contato físico quase nulo, mas que me provaram que sutilezas tocam a nossa alma muito mais fundo que qualquer beijo tórrido – okay, eu adoro beijos tórridos, mas Lost in Translation tá aí pra mostrar que envolvimento e beleza são muito mais que essa coisa carnal.

Também aprendi a me divertir em minha companhia. No início foi realmente difícil, tão acostumada a vida inteira a sorrir ao som de outro sorriso, mas descobri que eu sou mesmo ótima, rsrs. E a partir de então, uso tudo pra agradar a mim mesma: os melhores perfumes, os creminhos e todos aqueles cosméticos, roupas e acessórios que, antes esperavam num canto por pessoas e datas especiais.

Descobri que a pessoa sou eu e que a data é hoje.

Não me tornei egoísta (tenho horror a essa palavra), só melhorei porque odeio gente que só sabe reclamar e não conseguiria viver por aí desse jeito, me lamuriando ou esperando que alguém me resgatasse. Então ganhei o mundo e, consequentemente, o mundo me ganhou.

É ótimo ouvir: “Tá chovendo aqui, ou seja, tempo de Dri em Paris.”

Da próxima vez, vou na primavera. Sozinha ou não. :)