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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Estado x Religião

A Procuradoria Regional da União da 3.ª Região (PRU3)* conseguiu evitar, na Justiça, a retirada de crucifixos, imagens e símbolos religiosos das paredes das repartições públicas federais que funcionam no estado de São Paulo.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação por meio da qual solicitou que os símbolos fossem imediatamente retirados dos prédios da administração pública. Alegou que a presença dos crucifixos e objetos religiosos nestes locais desrespeitaria a liberdade de crença e a chamada "laicidade" do Estado, que garante a todo o cidadão o direito de adotar ou mudar convicção, inclusive religiosa.

Na defesa apresentada à Justiça, a PRU3 mencionou precedente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e contra-argumentou que os símbolos já pertencem à cultura e à tradição brasileiras. Sustentou, ainda, que a exposição desses crucifixos e objetos em prédios públicos não torna o Brasil um Estado clerical, devendo ser respeitada a religiosidade dos indivíduos.

O Juízo da 7.ª Vara Federal acolheu os argumentos da AGU e indeferiu a liminar, mantendo as imagens nas repartições públicas. De acordo com a decisão, a laicidade do Estado "não se pode expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos". O Juízo observou, ainda, que "em um país que teve a formação histórico-cultural cristã é natural a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, sem qualquer ofensa à liberdade de crença". Faz sentido. Afinal parede é o que não falta pra pendurar santo, pingar um oleozinho da Universal, colocar ao redor uma guia do candomblé, uma estrela de Davi, um pentagrama, uma estrela de 9 pontas e salpicar nisso tudo um tiquinho de água fluidificada.

*A PRU3 é uma unidade da Procuradoria-Geral da União (PGU), órgão da Advocacia-Geral da União.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Eu não creio!

É o nome de um artigo que achei num cardápio-jornal num bar muito bacana de Brasília, chamado Rayuela, na última quinta-feira. Achei que valia a pena reproduzir aqui:

"Se Deus não existe, por que ser bom? Apresentada assim, apergunta soa realmente ignóbil. Quando uma pessoa religiosa dirige-a desse jeito para mim (e muitas fazem isso), minha tentação imediata é lançar o seguinte desafio: 'você realmente quer me dizer que o único motivo para você tentar ser bom é para obter a aprovação e a recompensa de Deus, ou para evitar a aprovação dele e a punição? Isso não é moralidade, é só bajulação, puxação de saco. Você está preocupadocom a grande câmera de vigilância dos céus ou com o pequeno grampo de dentro da sua cabeça que monitora cada movimento seu, até seus pensamentos mais ordinários?' Como disse Einstein, 'se as pessoas são boas só porque temem a punição, e esperam a recompensa, então nós somos mesmo uns pobres coitados'.

(...) A mim me parece que é preciso uma dose muito baixa de auto-estima para achar que, se a crença em Deus desaparecesse repentinamente do mundo, todos nós nos tornaríamos hedonistas insensíveis e egoístas, sem nenhuma bondade, caridade, generosidade, nada que mereça o nome de bondade.

(...) Tudo que a humanidade sofreu com as guerras, com a pobreza, com a pestilência, com a fome, com o fogo e com o dilúvio, todo o pavor e toda a dor de todas as doenças e de todas as mortes? Tudo isso se reduz a nada quando posto ao lado das agonias que se destinam às almas perdidas. Este é o consolo da religião cristã. Esta é a justiça de Deus? Este dogma aterrorizante, esta mentira infinita: foi isto que me tornou um implacável inimigo do cristianismo.

A verdade é que a crença na danação eterna tem sido o verdadeiro perseguidor. Fundou a Inquisição, forjou as correntes e construiu instrumentos de tortura. Obscureceu a vida de muitos milhões. Tornou o berço tão terrível quanto o caixão. Escravizou nações e derramou o sangue de incontáveis milhares. Sacrificou os melhores, os mais sábios, os mais bravos. Subverteu a noção de justiça, derriçou a compaixão dos corações, transformou homens em demônios e baniu a razão dos cérebros. Como uma serpente peçonhenta, rasteja, sussurra e se insinua em toda crença ortodoxa. Transforma o homem numa eterna vítima e Deus num eterno demônio. É o horror infinito. Cada igreja em que se ensina esta idéia é um inimigo da humanidade. Em vão se procuraria uma selvageria mais ignóbil que este dogma cristão.

O biólogo inglês Richard Dawkins é considerado o principal evolucionista em atividade. Autor do best-seller Deus, um delírio, de onde foi extraído esse trecho. No Brasil veio participar da VII FLIP.

"A religião chegou a convencer as pessoas de que existe um homem-invisível morando no céu, que vê tudo que você faz, todo dia, a todo instante. E esse homem-invisível criou uma lista de 10 coisas que ele não quer que você faça. Se você fizer uma dessas 10 coisas, ele tem um lugar especial cheio de fogo, fumaça, tortura e angústia, para onde vai mandá-lo para que você sofra, queime, sufoque, grite e chore para todo o sempre até o fim dos tempos... mas Ele ama você!"

George Carlin