[Trecho do livro "Comprometida", citado abaixo.]
domingo, 1 de janeiro de 2012
That's what relationships are for
[Trecho do livro "Comprometida", citado abaixo.]
Comprometida
domingo, 17 de outubro de 2010
O bom combate
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Para Francisco
Impressionante como a leitura nos faz sentir íntimas de quem escreve as histórias. Em particular quando já se lia os escritos antes de serem lançados em livro. Senti uma emoção tão grande quando vi aquele livrinho de capa branca, singela, despretensiosa, com o título já tão familiar "para Francisco" e então pude finalmente folhear as páginas de uma história que eu já conhecia através de uma amiga mineira que quis me mostrar o quão pequena era a minha dor perto da que ela, Cristiana, vivia à época. Raquel teve sensibilidade suficiente para saber que, de certa forma, aquilo me aliviaria a alma, pois era tanta delicadeza que a sua imensurável dor emanava, que, no mínimo, deixaria minha tristeza mais bonita. Engraçado é que nunca, nem eu, nem essa amiga, conseguimos comentar nada no blog, apesar de leitoras assíduas. Comentou comigo uma vez algo como: "ai, Dri, é tão íntimo que eu quase sinto vergonha de ler". Do meu lado, nunca senti vergonha, só uma gigante empatia por se tratarem de histórias comuns, contadas de um jeito inteligentemente poético.
Parabéns, Cristiana.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Falando nisso
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A possíveis leitores
Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas com alma já formadas. (..)
--x--
Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?
E uma desilusão. (...) Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. (...)
No entanto na infância as descobertas terão sido como num laboratório onde se acha o que se achar? Foi como adulto então que eu tive medo e criei a terceira perna? Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder? perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. As duas pernas que andam, sem mais a terceira que prende. E eu quero ser presa. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira? ou havia, e havia, aquela coisa latejando, a que eu estava tão habituada que pensava que latejar era ser uma pessoa. É? também, também.
-x-
Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. (...) Essa coisa sobrenatural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar. Essa coisa corajosa que será entregar-me, e que é como dar a mão à mão mal-assombrada do Deus, e entrar por essa coisa sem forma que é um paraíso. (...) Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem de tal idéia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar tua mão quente, irei sozinha e com horror. O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. Não a claridade que nasce de um desejo de beleza e moralismo, como antes mesmo sem saber eu me propunha; mas a claridade naturaldo que existe, e é essa claridade natural o que me aterroriza. Embora eu saiba que o horror - o horror sou eu diante das coisas.
Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. (...)
A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe.
[A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector]
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Clarice traduz
terça-feira, 26 de maio de 2009
Desesperança
- Ah, disse ela com simplicidade, é assim: vamos dizer que uma pessoa estivesse gritando e então a outra pessoa punha um travesseiro na boca da outra para não se ouvir o grito. Pois quando eu tomo calmante, eu não ouço meu grito, sei que estou gritando mas não ouço, é assim, disse ela ajeitando a saia.
Embaraçado com a confidência dolorosa que ela fizera sem nenhuma dor, ele riu. Ermelinda notou de repente seu olhar, interrompeu-se, tomou consciência de si mesma - "sou alguém que faz outra pessoa me ver" - e fez um rosto falsamente animado, representando o papel que na certa ele esperava dela. Mas inesperadamente, como se dessa vez ela tivesse ouvido o próprio grito, disse-lhe intensa, dura, sem nenhuma esperança:
- Eu te amo.
- Sim, disse ele depois de uma pausa.
Ambos ficaram um instante calados, esperando que morresse a ressonância do que ela dissera.
(Trecho de "A maçã no escuro", de Clarice)
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Tempo, tempo, tempo, mano velho
Tarkovski, Esculpir o tempo (adoro esse nome!), págs. 65 e 66.
sábado, 21 de março de 2009
Quoting Clarice's apple
"The most dispassionate individual thing happened when a person had the freedom. In the beginning you are a stupid man who took a slap in the face and yet blissful smile because while the slap gave to this one a face that you couldn't suspect. Then, slowly, you start, furtive, take home the first innermost with freedom: you just can not fly because you don't want to, and when you sit on a stone is because instead of flying, you sat up."
"O bom de um ato é que ele nos ultrapassa."
"The good about an act is that it's overtake us."
- Clarice Lispector, em "A maçã no escuro" -
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Coelhos são estrelas
domingo, 19 de outubro de 2008
Vertigem
(...)
Tinha vontade de fazer alguma coisa que a impedisse de voltar atrás. Tinha vontade de destruir brutalmente todo o passado de seus sete últimos anos. Era a vertigem. Um atordoamento, um insuperável desejo de cair.
Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela própria fraqueza. Temos consciência da nossa própria fraqueza e não queremos resistir a ela, mas nos abandonar a ela. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão."
- A insustentável leveza do ser, Milan Kundera -
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
A insustentável leveza do ser
Ganhei de presente esse livro do meu american brother James Rising, em momento mais do que oportuno, dentro do meu último sábado no Rio de Xaneiro! Impressionante como nossa amizade se solidificou nesses dias. Fico contente demais com isso: mais um cúmplice, rá!Achei a dedicatória tão sweet que não resisto em reproduzi-la:
A book about the endless crossroads of life for an incredible woman who has been waltzing between her own crossroads and those of her many guests - as long as I've known her. I hope you enjoy this book as much as I did, and I look forward to meeting you at the next crossing! Obrigado por tudo!
JRising. 11/10/2008"
Sei que a gente vai se encontrar de novo, sim, my 'very dear'! :)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Liberdoubts
Os últimos acontecimentos têm me feito pensar seriamente que se trata de outra coisa com a qual não sabemos lidar direito nas tão delicadas relações humanas.Como vc se relaciona com a sua liberdade e a liberdade do outro?
Eu tô in love com a minha, ainda bem. Chega de complicações.
Quem quer a liberdade? A liberdade exige decisões pessoais para todos os dilemas diários: saio, não saio, vou, fico, o que é que eles estão querendo dizer com isso?, como é que eu devo agir em função disso? A cada ato, cada desastre, cada notícia, corresponde uma atitude definida e um esforço para o qual o ser normal não foi adequado. Só um tarado (liberal) aprecia a liberdade total. O homem médio prefere se entregar a prepostos, ama despachantes, obedece a mestres, serve a diretores, mitifica líderes. A própria constituição humana está talhada para a limitação. É evidente que Deus fez o homem com a cabeça maior do que o corpo para ele não poder passar por entre as grades.
[Impor a liberdade mesmo através da coação. Obras completas, 1970. Millôr, em "O livro vermelho dos pensamentos"]
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Como vc esculpe seu tempo?
É sobre a arte do cinema, por Andrei Tarkovski e diz coisas assim:
"Se, ao menos uma vez, duas pessoas foram capazes de experimentar a mesma coisa, poderão sempre compreender-se reciprocamente . Mesmo que uma delas tenha vivido na era dos mamutes, e a outra na era da eletricidade."
"Coloco-me inteiramente do lado daqueles para quem só se chega à verdade por intermédio do debate."
"Quando não se disse tudo sobre um determinado tema, fica-se com a possibilidade de imaginar o que não foi dito."
"A poesia é uma consciência do mundo, uma forma específica de relacionamento com a realidade. Assim, a realidade torna-se uma filosofia que conduz o homem ao longo de toda a sua vida."
Perfect.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Mais um!
Country-side days
Dá vontade de reproduzir tudo aqui, mas é impossível porque, além de estar sem pc full time, é coisa demais. Coisas essas que começaram desde o aeroporto, quando li num livro que peguei aleatoriamente um diálogo mais ou menos assim:
- Mas por que você não quer fazer amor comigo? É por que eu sou preta?
- Não, é porque eu tenho medo.
- Medo de quê?
- De não regressar de ti.
Lindo. Forte. Inevitavelmente me lembrou João Gilberto, em frase já escrita antes (na verdade a letra dessa música é do Caetano): "pena de quem não entendeu que a beleza de amar é se dar".
sábado, 14 de junho de 2008
M A L V A D O S
Quer uma mulher que não mande em sua vida? Compre uma inflável.
Quer um casamento sem chifres? Case-se com uma feia.
Em busca da mulher perfeita? Procure entre as mudas e sairá na frente.
Dei minha vida por ela e o que ganhei em troca? Herpes genital!
E enquanto isso, na Loja Mundo Cão:
- Meeedo, olha o meeedo!
- E aí, vendendo bem?
- É, vendeu toda raiva do estoque.
- Isso quer dizer que amanhã você vai vender medo que nem água.
- Se houver amanhã.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Conclusão
- Gonçalo M. Tavares, em Jerusalém -
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Eat, pray, love
"(...) Os sábios iogues dizem que a dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós criamos palavras para definir nossa experiência e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira.Passar algum tempo sem falar, portanto, é uma tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes."
Muito legal as curiosidades sobre a sociedade balinesa (eu digitei certo, é de Bali sim), como por exemplo: lá só existem 4 nomes com os quais a maioria da população batiza seus filhos, independente de o bebê ser menino ou menina: Wayan, Made, Nyoman e Ketut.
Traduzidos esses nomes significam simplesmente: Primeiro(a), Segundo(a), Terceiro(a) e Quarto(a). Se houver um quinto filho? Recomeça-se o ciclo dos nomes, de modo que ficaria algo assim: "Wayan do Segundo Poder", e assim por diante.
Pra diferenciar, geralmente é agregado alguma informação sobre a atividade profissional ou a forma física da pessoa: "Nyoman que aluga carros", "Made gordo" etc.
Uma coisa que achei bonita de saber foi sobre a cerimônia de bênção, o batizado dos bebês em Bali, que é realizado quando completam 6 meses e marca a primeira vez que tocam o solo na vida. Antes disso, os balineses não deixam seus filhos tocarem o chão porque os recém-nascidos são considerados deuses, tanto que, se morrem antes disso, faz-se uma cerimônia de cremação especial e as cinzas não são depositadas em um cemitério humano, porque aquele ser nunca foi humano: ele foi apenas um deus. Bonito, né?
Tem informações bacanas sobre os lugares pra onde a autora viaja (Itália, Índia e Indonésia), é uma leitura leve, gostosa e é muito bem escrito. Eu adorei.
No final, é como se fossêmos íntimos da Liz (Elizabeth).



