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domingo, 1 de janeiro de 2012

That's what relationships are for

"Todo casal do mundo tem o potencial de se tornar, com o tempo, um pequeno país isolado com dois habitantes, criando uma cultura própria, uma linguagem própria, um código moral próprio do qual mais ninguém pode participar."

Eu chamo isso de cumplicidade.


[Trecho do livro "Comprometida", citado abaixo.]

Comprometida

Apesar de me sentir assim no atual momento, este post não é sobre mim, mas sobre o livro da Liz (Elizabeth Gilbert), cujo título e capa eu nem gosto porque acho que muita gente nem consegue imaginar a profundidade analítica e, ao mesmo tempo, leve do livro ao enxergá-lo na prateleira de uma livraria. Gosto mais do título original Committed: a Skeptic Makes Peace with Marriage.

Quem me conhece sabe o quanto me identifico com essa autora, uma jornalista cética sobre muitas coisas, que ama viajar e que tomou a corajosa decisão de não querer filhos numa sociedade que cobra constantemente o típico papel reprodutor feminino. Até que ponto eu conseguiria manter essa minha decisão se um dia essa questão fosse trazida seriamente à tona por alguém que se candidatasse ao cargo de "o homem da minha vida" eu sinceramente não sei, já que é fácil manter opiniões quando a sua vida não é dividida com mais ninguém. Fato é que o livro nos coloca frente a outros modelos de convivência os quais ampliam nossos paradigmas sobre relacionamento, traição e concessões, tenta desmistificar a temerosa instituição do casamento com muita informação (estatística até!) sem perder o humor e a compaixão.

Leitura obrigatória àqueles que pensam em passar noites e noites dormindo de conchinha com uma pessoa só. Eu gostei. :)

domingo, 17 de outubro de 2010

O bom combate

"Há muita dor nisso de ser jogado numa existência amesquinhada, sem saída e quase animal, mas com a consciência humana para perceber sua condição."
"Uma vida inventada" - Maitê Proença.
............
De certa forma, sempre combati essa mesquinhez, essa pequenez cotidiana pela qual muitos se deixam engolir. O mundo sempre me pareceu uma porta entreaberta, com um charmoso letreiro em neon dando boas-vindas, ávido por mostrar que aquele padrão que conhecemos era só um em mil, e que quanto mais o nosso horizonte se amplia com diversos referenciais, mais nos faz desenvolver o racionalismo e o desapego àquilo que muitos não ousam questionar.
Esse espírito livre de modelos convencionais foi o que encontrei no livro da Maitê, que foi uma grata surpresa pelo refinamento na escrita, particularmente ao relatar o nascimento da filha, com tanto pragmatismo e poesia, coisas dificílimas de caminharem juntas. Gostei muito.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para Francisco

Voltei pra casa feliz da vida com Cristiana Guerra, Martha Medeiros e Elizabeth Gilbert na minha sacolinha amarela da Saraiva.
Impressionante como a leitura nos faz sentir íntimas de quem escreve as histórias. Em particular quando já se lia os escritos antes de serem lançados em livro. Senti uma emoção tão grande quando vi aquele livrinho de capa branca, singela, despretensiosa, com o título já tão familiar "para Francisco" e então pude finalmente folhear as páginas de uma história que eu já conhecia através de uma amiga mineira que quis me mostrar o quão pequena era a minha dor perto da que ela, Cristiana, vivia à época. Raquel teve sensibilidade suficiente para saber que, de certa forma, aquilo me aliviaria a alma, pois era tanta delicadeza que a sua imensurável dor emanava, que, no mínimo, deixaria minha tristeza mais bonita. Engraçado é que nunca, nem eu, nem essa amiga, conseguimos comentar nada no blog, apesar de leitoras assíduas. Comentou comigo uma vez algo como: "ai, Dri, é tão íntimo que eu quase sinto vergonha de ler". Do meu lado, nunca senti vergonha, só uma gigante empatia por se tratarem de histórias comuns, contadas de um jeito inteligentemente poético.
Obrigada, Raquel (de quem eu também adoro ler os escritos).
Parabéns, Cristiana.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Falando nisso

A mesma sensação de acolhimento me vem quando escuto a voz do Chico e leio as coisas que Clarice escreve. Por sinal, dessa vez ela veio até mim através de um livro que eu ainda não conhecia, mas que era tudo o que eu precisava ler agora. A vontade que dá é de transcrever pelo menos as 20 primeiras páginas aqui, de tão perfeitas que são. Vou me conter e fazer o sacrifício de escolher uns trechos:

--x--
A possíveis leitores

Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas com alma já formadas. (..)

--x--

Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

E uma desilusão. (...) Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. (...)

No entanto na infância as descobertas terão sido como num laboratório onde se acha o que se achar? Foi como adulto então que eu tive medo e criei a terceira perna? Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder? perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. As duas pernas que andam, sem mais a terceira que prende. E eu quero ser presa. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira? ou havia, e havia, aquela coisa latejando, a que eu estava tão habituada que pensava que latejar era ser uma pessoa. É? também, também.

-x-

Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. (...) Essa coisa sobrenatural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar. Essa coisa corajosa que será entregar-me, e que é como dar a mão à mão mal-assombrada do Deus, e entrar por essa coisa sem forma que é um paraíso. (...) Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem de tal idéia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar tua mão quente, irei sozinha e com horror. O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. Não a claridade que nasce de um desejo de beleza e moralismo, como antes mesmo sem saber eu me propunha; mas a claridade naturaldo que existe, e é essa claridade natural o que me aterroriza. Embora eu saiba que o horror - o horror sou eu diante das coisas.

Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. (...)

A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe.

[A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Clarice traduz

"Houve um momento grande, parado, sem nada dentro."

"E sempre no pingo de tempo que vinha nada acontecia se ela continuava a esperar o que ia acontecer, compreende?"

"Há impossibilidade de ser além do que se é - no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu quase normalmente."

"Mas a verdade é que tenho mesmo: olhos brilhantes, essa força e essa fraqueza, batidas desordenadas do coração."

"Ser livre era seguir-se afinal, e eis de novo o caminho traçado. Ela só veria o que já possuía dentro de si."

"Ou pelo menos o que me faz agir não é o que eu sinto, mas o que eu digo."

"A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo."
______________________________________________________
Fragmentos de "Perto do coração selvagem", Clarice Lispector.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Desesperança

- Por que você toma tanto calmante? perguntou ele sorrindo.

- Ah, disse ela com simplicidade, é assim: vamos dizer que uma pessoa estivesse gritando e então a outra pessoa punha um travesseiro na boca da outra para não se ouvir o grito. Pois quando eu tomo calmante, eu não ouço meu grito, sei que estou gritando mas não ouço, é assim, disse ela ajeitando a saia.
Embaraçado com a confidência dolorosa que ela fizera sem nenhuma dor, ele riu. Ermelinda notou de repente seu olhar, interrompeu-se, tomou consciência de si mesma - "sou alguém que faz outra pessoa me ver" - e fez um rosto falsamente animado, representando o papel que na certa ele esperava dela. Mas inesperadamente, como se dessa vez ela tivesse ouvido o próprio grito, disse-lhe intensa, dura, sem nenhuma esperança:

- Eu te amo.

- Sim, disse ele depois de uma pausa.

Ambos ficaram um instante calados, esperando que morresse a ressonância do que ela dissera.

(Trecho de "A maçã no escuro", de Clarice)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Tempo, tempo, tempo, mano velho

[Praia dos Carneiros - PE, fev/2009]

"E a vida não é mais que a fração de tempo que lhe foi concedida, durante a qual ele pode (e, na verdade, deve) moldar seu espíritode acordo com seu próprio entendimento dos objetivos da existência humana. No entanto, a rígida estrutura na qual ela se insere torna nossa responsabilidade para conosco e para com os outros ainda mais flagrantemente óbvia. (...) Afirma-se que o tempo é irreversível. É uma afirmação bastante verdadeira no sentido de que, como se costuma dizer, 'o passado não volta jamais'. Mas o que será exatamente esse 'passado'? Aquilo que já passou? E o que essa coisa passada significa para uma pessoa quando, para cada um de nós, o passado é o portador de tudo que é constante na realidade do presente? Em certo sentido, o passado é muito mais real, ou, de qualquer forma, mais estável, mais resistente que o presente, o qual desliza e se esvai como areia entre os dedos, adquirindo peso material somente através da recordação. O tempo não pode desaparecer sem deixar vestígios (...) e o tempo por nós vivido fixa-se em nossa alma como uma experiência situada no interior do tempo."

Tarkovski, Esculpir o tempo (adoro esse nome!), págs. 65 e 66.

sábado, 21 de março de 2009

Quoting Clarice's apple

"A coisa mais desapaixonadamente individual acontecia quando uma pessoa tinha a liberdade. No começo você é um homem estúpido que levou uma bofetada na cara e no entanto sorri beato porque ao mesmo tempo a bofetada lhe deu de presente uma cara que ele não suspeitava. Depois, aos poucos, você começa, sonso, a fazer casa e a tomar as primeiras intimidades impudicas com a liberdade: você só não voa porque não quer, e quando se senta numa pedra é porque em vez de voar sentou-se."

"The most dispassionate individual thing happened when a person had the freedom. In the beginning you are a stupid man who took a slap in the face and yet blissful smile because while the slap gave to this one a face that you couldn't suspect. Then, slowly, you start, furtive, take home the first innermost with freedom: you just can not fly because you don't want to, and when you sit on a stone is because instead of flying, you sat up."

"O bom de um ato é que ele nos ultrapassa."

"The good about an act is that it's overtake us."

- Clarice Lispector, em "A maçã no escuro" -

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Coelhos são estrelas

"O mistério do coelho pensante"
É a história do coelho Joãozinho que fareja idéias com o nariz e adora fugir de sua casinhola todas as vezes que não há comida. A autora cria um suspense ao não revelar como um coelho tão gordo consegue fugir daquelas grades tão estreitas.
“Se você quiser adivinhar o mistério, Paulinho, experimente você mesmo franzir o nariz para ver se dá certo. É capaz de você mesmo descobrir a solução, porque menino e menina entendem mais de coelho do que pai e mãe. Quando você descobrir me conta.”
^ ^
Clarice sabe MESMO das coisas, hihih

domingo, 19 de outubro de 2008

Vertigem

"O que é vertigem? Medo de cair? Mas por que temos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada sólida? Vertigem não é medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.
(...)
Tinha vontade de fazer alguma coisa que a impedisse de voltar atrás. Tinha vontade de destruir brutalmente todo o passado de seus sete últimos anos. Era a vertigem. Um atordoamento, um insuperável desejo de cair.
Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela própria fraqueza. Temos consciência da nossa própria fraqueza e não queremos resistir a ela, mas nos abandonar a ela. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão."

- A insustentável leveza do ser, Milan Kundera -

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Penumbra

Sua alma pôde enfim ver com clareza, já que não havia amor.
- Trecho de "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera -

A insustentável leveza do ser

Ganhei de presente esse livro do meu american brother James Rising, em momento mais do que oportuno, dentro do meu último sábado no Rio de Xaneiro! Impressionante como nossa amizade se solidificou nesses dias. Fico contente demais com isso: mais um cúmplice, rá!

Não tinha como ser diferente: James, além de ótimo conselheiro, é parceirão! ÃO mesmo! Topa tudo: desde pular de asa delta de repente (mesmo quando achava que, quando eu lhe disse: let's fly, era só força de expressão, uma maneira de apressar todo mundo pra ir pra algum lugar, rs) até ouvir meu inglês entre soluços na praia.

Achei a dedicatória tão sweet que não resisto em reproduzi-la:

"For Erica Adriana,
A book about the endless crossroads of life for an incredible woman who has been waltzing between her own crossroads and those of her many guests - as long as I've known her. I hope you enjoy this book as much as I did, and I look forward to meeting you at the next crossing!
Obrigado por tudo!
JRising. 11/10/2008"

Sei que a gente vai se encontrar de novo, sim, my 'very dear'! :)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Liberdoubts

Os últimos acontecimentos têm me feito pensar seriamente que se trata de outra coisa com a qual não sabemos lidar direito nas tão delicadas relações humanas.

Como vc se relaciona com a sua liberdade e a liberdade do outro?

Eu tô in love com a minha, ainda bem. Chega de complicações.

Quem quer a liberdade? A liberdade exige decisões pessoais para todos os dilemas diários: saio, não saio, vou, fico, o que é que eles estão querendo dizer com isso?, como é que eu devo agir em função disso? A cada ato, cada desastre, cada notícia, corresponde uma atitude definida e um esforço para o qual o ser normal não foi adequado. Só um tarado (liberal) aprecia a liberdade total. O homem médio prefere se entregar a prepostos, ama despachantes, obedece a mestres, serve a diretores, mitifica líderes. A própria constituição humana está talhada para a limitação. É evidente que Deus fez o homem com a cabeça maior do que o corpo para ele não poder passar por entre as grades.

[Impor a liberdade mesmo através da coação. Obras completas, 1970. Millôr, em "O livro vermelho dos pensamentos"]

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Como vc esculpe seu tempo?

Quando ganhei esse livro na semana passada, me apaixonei de cara pelo título: "esculpir o tempo", que beleza!
É sobre a arte do cinema, por Andrei Tarkovski e diz coisas assim:

"Se, ao menos uma vez, duas pessoas foram capazes de experimentar a mesma coisa, poderão sempre compreender-se reciprocamente . Mesmo que uma delas tenha vivido na era dos mamutes, e a outra na era da eletricidade."

"Coloco-me inteiramente do lado daqueles para quem só se chega à verdade por intermédio do debate."

"Quando não se disse tudo sobre um determinado tema, fica-se com a possibilidade de imaginar o que não foi dito."

"A poesia é uma consciência do mundo, uma forma específica de relacionamento com a realidade. Assim, a realidade torna-se uma filosofia que conduz o homem ao longo de toda a sua vida."

Perfect.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Mais um!

Entre Allen Ginsberg e Nietzsche, agora tô lendo também Ruy Godinho: "Então, foi assim?", sobre a origem de 80 sucessos da música brasileira, que me foi gentilmente emprestado hoje por um colega de trabalho, após a constatação de que dividimos a mesma paixão por música e viagens.
Tô adorando.
:-)
Bien, a crise de abstinência por estar sem pc a tempo e a hora que eu quiser até que não tá tão braba*. Melhor assim porque, afinal os livros são excelente companhia, além de mim mesma, of course, rs.
*Okay, tem o celular onde sempre checo meus emails pra amenizar. =P

Country-side days

Dias de leveza de cidade do interior e muito bons livros.
Dá vontade de reproduzir tudo aqui, mas é impossível porque, além de estar sem pc full time, é coisa demais. Coisas essas que começaram desde o aeroporto, quando li num livro que peguei aleatoriamente um diálogo mais ou menos assim:

- Mas por que você não quer fazer amor comigo? É por que eu sou preta?
- Não, é porque eu tenho medo.
- Medo de quê?
- De não regressar de ti.

Lindo. Forte. Inevitavelmente me lembrou João Gilberto, em frase já escrita antes (na verdade a letra dessa música é do Caetano): "pena de quem não entendeu que a beleza de amar é se dar".

sábado, 14 de junho de 2008

M A L V A D O S

Quer uma mulher que não mande em sua vida? Compre uma inflável.
Quer um casamento sem chifres? Case-se com uma feia.
Em busca da mulher perfeita? Procure entre as mudas e sairá na frente.
Dei minha vida por ela e o que ganhei em troca? Herpes genital!


E enquanto isso, na Loja Mundo Cão:

- Meeedo, olha o meeedo!

- E aí, vendendo bem?

- É, vendeu toda raiva do estoque.

- Isso quer dizer que amanhã você vai vender medo que nem água.

- Se houver amanhã.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Conclusão

"E sobre Gomperz agora Ernst não tinha dúvidas: filho-da-puta."

- Gonçalo M. Tavares, em Jerusalém -

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Eat, pray, love

"(...) Os sábios iogues dizem que a dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós criamos palavras para definir nossa experiência e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira.
Nós somos seduzidos por nossos próprios mantras (Eu sou um fracasso... Estou só... Sou um fracasso... Estou só...), e nos transformamos em monumentos a esses mantras.
Passar algum tempo sem falar, portanto, é uma tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes."

Trecho de Elizabeth Gilbert, em "Comer, rezar, amar", um livro delicioso que acabei de ler, totalmente universal, sobre a difícil arte de assumir a responsabilidade por seu próprio contentamento (achei essa palavra muito mais apropriada que "felicidade", tão desgastada já, coitada).

Muito legal as curiosidades sobre a sociedade balinesa (eu digitei certo, é de Bali sim), como por exemplo: lá só existem 4 nomes com os quais a maioria da população batiza seus filhos, independente de o bebê ser menino ou menina: Wayan, Made, Nyoman e Ketut.
Traduzidos esses nomes significam simplesmente: Primeiro(a), Segundo(a), Terceiro(a) e Quarto(a). Se houver um quinto filho? Recomeça-se o ciclo dos nomes, de modo que ficaria algo assim: "Wayan do Segundo Poder", e assim por diante.
Pra diferenciar, geralmente é agregado alguma informação sobre a atividade profissional ou a forma física da pessoa: "Nyoman que aluga carros", "Made gordo" etc.
Uma coisa que achei bonita de saber foi sobre a cerimônia de bênção, o batizado dos bebês em Bali, que é realizado quando completam 6 meses e marca a primeira vez que tocam o solo na vida. Antes disso, os balineses não deixam seus filhos tocarem o chão porque os recém-nascidos são considerados deuses, tanto que, se morrem antes disso, faz-se uma cerimônia de cremação especial e as cinzas não são depositadas em um cemitério humano, porque aquele ser nunca foi humano: ele foi apenas um deus. Bonito, né?
Tem informações bacanas sobre os lugares pra onde a autora viaja (Itália, Índia e Indonésia), é uma leitura leve, gostosa e é muito bem escrito. Eu adorei.
No final, é como se fossêmos íntimos da Liz (Elizabeth).

Eu, Renata (Salame, a amiga queridíssima que me emprestou o livro dizendo ser a minha cara, rs) Julia (Roberts) e Hillary (Clinton) recomendamos! rsrs
[Esqueçam o preconceito contra bestsellers, bah. =P]