terça-feira, 10 de junho de 2008

Calendário: burocracia do tempo

Lembrei que li em algum lugar que o calendário é a burocracia do tempo.

Faz muito sentido. Aquilo lá não manda muito, não.
O tempo assume formas muito particulares pra cada um.

Mas sempre gostei muito (muito mesmo) de perder meu olhar por entre aqueles números enigmáticos, tentando adivinhar o que podem me trazer ou pra onde podem me levar.

Burocrata do pensamento?

: o

10/06/2008

"Não esquece de mim aí que eu não esqueço nem um segundo de você aqui."

E eu apaguei todo o post que escrevi. Não esqueci: desisti.

Percebem a diferença?

sábado, 7 de junho de 2008

Couchsurfing

Pra quem tem me cobrado as fotos de BH, deixo aqui o link do meu perfil no CS, onde postei todas pro pessoal que tava no Meeting poder pegar também: www.couchsurfing.com/{DRI}

Ah, em julho devo dar início à minha "carreira" como hostess, hospedando um amigo da Austrália (lembram do Ryley, pra quem até fiz um post em inglês?Pois é, ele vem! Cool!) e outro de Israel, o Gaal, que conheci lá em BH, que talvez venha em agosto. É que acho injusto a via de mão única só de guest, e como na conversa que tive por aqui não encontrei maiores resistências, ótimo!

Se eu fosse tu, me inscrevia também no CS.

Cultural interchange rulezzzz, babe! :D

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Eat, pray, love

"(...) Os sábios iogues dizem que a dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós criamos palavras para definir nossa experiência e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira.
Nós somos seduzidos por nossos próprios mantras (Eu sou um fracasso... Estou só... Sou um fracasso... Estou só...), e nos transformamos em monumentos a esses mantras.
Passar algum tempo sem falar, portanto, é uma tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes."

Trecho de Elizabeth Gilbert, em "Comer, rezar, amar", um livro delicioso que acabei de ler, totalmente universal, sobre a difícil arte de assumir a responsabilidade por seu próprio contentamento (achei essa palavra muito mais apropriada que "felicidade", tão desgastada já, coitada).

Muito legal as curiosidades sobre a sociedade balinesa (eu digitei certo, é de Bali sim), como por exemplo: lá só existem 4 nomes com os quais a maioria da população batiza seus filhos, independente de o bebê ser menino ou menina: Wayan, Made, Nyoman e Ketut.
Traduzidos esses nomes significam simplesmente: Primeiro(a), Segundo(a), Terceiro(a) e Quarto(a). Se houver um quinto filho? Recomeça-se o ciclo dos nomes, de modo que ficaria algo assim: "Wayan do Segundo Poder", e assim por diante.
Pra diferenciar, geralmente é agregado alguma informação sobre a atividade profissional ou a forma física da pessoa: "Nyoman que aluga carros", "Made gordo" etc.
Uma coisa que achei bonita de saber foi sobre a cerimônia de bênção, o batizado dos bebês em Bali, que é realizado quando completam 6 meses e marca a primeira vez que tocam o solo na vida. Antes disso, os balineses não deixam seus filhos tocarem o chão porque os recém-nascidos são considerados deuses, tanto que, se morrem antes disso, faz-se uma cerimônia de cremação especial e as cinzas não são depositadas em um cemitério humano, porque aquele ser nunca foi humano: ele foi apenas um deus. Bonito, né?
Tem informações bacanas sobre os lugares pra onde a autora viaja (Itália, Índia e Indonésia), é uma leitura leve, gostosa e é muito bem escrito. Eu adorei.
No final, é como se fossêmos íntimos da Liz (Elizabeth).

Eu, Renata (Salame, a amiga queridíssima que me emprestou o livro dizendo ser a minha cara, rs) Julia (Roberts) e Hillary (Clinton) recomendamos! rsrs
[Esqueçam o preconceito contra bestsellers, bah. =P]

terça-feira, 3 de junho de 2008

Sobre sedução

É inerente à natureza humana, eu sei. Tem a ver com aceitação.
Alguns brincam com esse pretenso poder como um hobby, como para mantê-lo em forma, de maneira deliberadamente consciente.
Não gosto.
A forma instintiva é muito mais espontânea e naturalmente sedutora.
Quando se faz disso um jogo, com ações cuidadosamente pensadas, é tão chaaato.
Então me retiro, delicadamente.

P-left.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

My Blueberry Nights

Sinestesia. Imagens e diálogos muito bons. Ainda bem que, de novo, eu estava sozinha no cinema, rsrs. É que assim não preciso fingir gripe ou cisco. Ando emotiva demais e me pergunto se as sentimentalidades tendem a se tornar "visceralidades" com o tempo.
O tempo soa pra mim sempre como solução; então acabo de achar a verdadeira culpada por essa minha "flordapelice", e ela não combina nenhum pouco com o feriado prolongado que tive, com tanta gente bacana ao redor - na superfície.

Quotes time:

[about the forgotten keys in the bar]
Elizabeth: Why do you keep them? You should just throw them out.
Jeremy: No. No, I couldn't do that.
Elizabeth: Why not?
Jeremy: If I threw these keys away then those doors would be closed forever and that shouldn't be up to me to decide, should it?
Elizabeth: I guess I'm just looking for a reason.
Jeremy: From my observations, sometimes it's better off not knowing, and other times there's no reason to be found.
Elizabeth: Everything has a reason.
Jeremy: Hmm. It's like these pies and cakes. At the end of every night, the cheesecake and the apple pie are always completely gone. The peach cobbler and the chocolate mousse cake are nearly finished... but there's always a whole blueberry pie left untouched.
Elizabeth: So what's wrong with the blueberry pie?
Jeremy: There's nothing wrong with the blueberry pie. Just... people make other choices. You can't blame the blueberry pie, just... no one wants it.
Elizabeth: Wait! I want a piece.

Elizabeth: [wiping her tears] How do you say goodbye to someone you can't imagine living without? I didn't say goodbye.
[pause]
Elizabeth: I didn't say anything. I just walked away.

[last lines]
Elizabeth: It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side.

Katya: Sometimes, even if you have the keys, those doors still can't be opened. Can they?
Jeremy: Even if the door is open, the person you're looking for may not be there, Katya.

Into the wild : deep into you

Society, man! You know, society! 'Cause, you know what I don't understand? I don't understand why people, why every fucking person is so bad to each other so fucking often.
It doesn't make sense to me. Judgment, control. All that, the whole spectrum. well, it just...
(Alexander Supertramp)

I love not man the less, but nature more.
(Lord Byron)
Poucos filmes conseguem ser tão densos. Ainda bem que eu estava sozinha no cinema porque realmente precisava de um tempo pra digerir aquela avalanche de emoções desabadas diretamente da tela sobre todas aquelas pessoas desavisadas ali sentadas. Então saí atônita e caminhei até a praça da Liberdade*, por entre rosas viçosas, perfumantes e sem crises existenciais. Somente lindas e descerebradas. Nem precisam chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome, só representam. No máximo, um estandarte.

Catei por aqui algumas frases que queria reler, porque depois elas ficam transitando pela nossa mente como uma espécie de brain wall paper.

Ron Franz: When you forgive, you love. And when you love, God's light shines upon you.
[at that very moment, the clouds part, and sunlight falls upon them]

Christopher McCandless: Mr. Franz, I think careers are a 20th century invention and I don't want one.

Christopher McCandless: [written into book]: Happiness only real when shared.

Christopher McCandless: I'm supertramp.
[looks at the apple]
Christopher McCandless: and you're super apple!
Christopher McCandless: You are the apple of my eye.

Christopher McCandless: What if I were smiling and running into your arms? Would you see then what I see now?

Christopher McCandless: The sea's only gifts are harsh blows, and occasionally the chance to feel strong. Now I don't know much about the sea, but I do know that that's the way it is here. And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head.
* Sim, eu aproveitei o feriado que passei em BH pra assistir, pois sabe Deus quando isso chega nos cinemas de Belém. E quando chegar, talvez vá ver de novo - e eu nem sou do tipo que assiste mais de uma vez um filme, mas esse... ah... só vendo pra entender!